sábado, 27 de agosto de 2016




DISPOSITIVOS SOBRE ÁGUA


         Tivemos várias discussões sobre o tema água durante o quadrimestre, e tais reflexões foram bem apropriadas porque estamos vivendo uma crise hídrica na região. Todos os grupos tiveram excelentes idéias sobre seus dispositivos, dando a entender que  o recado foi compreendido.

Grupo dos quadrinhos: apresentou uma história sobre a importância da preservação da natureza:




Grupo da música: elaboraram três canções belíssimas sobre a temática, uma indígena, uma pop e outra mpb. Ficaram ótimas!!!


Grupo da Lenda: apresentaram a lenda de Nigarram (será q é assim que escreve?). O espírito do rio cachoeira que está sendo destruído e pede socorro. E se ele pede é porque ainda tem resquícios de vida, demonstrado pelas aves e capivaras que fazem do rio o seu lar.



Grupo da experiência 1: nos mostrou como fazer um gotejador de plantas artesanal, além de economizar água, aproveitaremos materiais recicláveis. Veja com é simples:


Resultado de imagem para garrafa pet como gotejamento de plantas


Grupo experiência 2: Fizemos um filtro caseiro com garrafas pet, algodão, punhado de areia, cascalho e pedras. Tentamos mostrar a importância do reaproveitamento da água, com foco na revitalização do Rio Cachoeira. Se é possível no micro, porque não no macro!!!! A diferença da água suja antes com a água filtrada depois é muito perceptível!!!! Enquanto a água filtrava, declamávamos o poema de Sérgio Moraes, Água - um bem precioso.



Grupo do discurso: Elaboraram um discurso baseado na música de Caetano veloso, "Purificar o Subaé". 


Grupo do teatro: Fizeram ótima encenação sobre o antes e depois do Rio Cachoeira e de como em nome  do desenvolvimento, não se preocuparam em preservar limpo a base do crescimento da cidade, bem como isso se reflete hoje em meio a crise hídrica regional.




Parabéns a todos pela disposição e criatividades!!!!!!!!






DISPOSITIVO DE EMPATIA


             Não é fácil ser empático, se colocar no lugar do outro é uma das coisas mais difíceis que existe, pois sempre baseamos os outros no "eu", no "meu"", no "sou", como se fôssemos o padrão para tudo.

                 Num determinado auditório todos esperavam pelo palestrante/orador, já atrasado, chegou ás pressas ao palanque e ao subir tropeçou caindo de joelhos na escada, algumas risadas soaram no local. Porém, o palestrante se levantou, se ajeitou e pronunciou o tema de seu discurso: POR QUE É TÃO FÁCIL RIR DOS OUTROS? Naquele momento todos entenderam o propósito daquela queda.

                 Por que não nos colocarmos no lugar do motorista de ônibus emburrado, do chefe rígido, do vizinho chato e de dezenas de pessoas que dividem o dia conosco?????




                  Resultado de imagem para empatia

O PODER DA MÚSICA

        O que seria da vida sem a música? com certeza teria menos graça, pois ela é capaz de despertar emoções, lhe fazer viajar mentalmente e modificar ou acentuar seu astral. Fomos convidados na aula a responder três questões e dialogar sobre ela em trio, e assim fizemos (Eu, Verilene e Antonio).

        Para mim o concerto é?
       
        Eu - Viajar na música.
        Verilene -  Música de qualidade.
         Antonio - Cultura.

        Para mim o concerto ideal seria?

        Eu - Aquele que vibra a alma da gente ( o show do Legião Urbana em Itacaré foi um desses ).
        Verilene - Sinfonia de Beethoven.
         Antonio - Seria para as pessoas que estivesse passando por momentos difíceis.

        Se eu pudesse participar de um concerto seria.....

        Eu - Gostaria de tocar gaita com o Bob Dylan (se soubesse tocar gaita claro kkkkk).
        Verilene - Concerto para piano numero 5, popularmente conhecido como concerto do imperador, foi o último de Beethoven, escrito entre 1809 e 1811em Viena e foi dedicado ao Arqueduque Rudolf, patrono de Beethoven.
    Antonio - Gostaria que essa participação fosse em um teatro, onde seria o maestro, com participação dos três tenores. 

        Vejam a belíssima apresentação do nosso colega indígena Dehevere no vídeo abaixo

      
               Em seguida, os que sabiam tocar algum instrumento, passou a dar instruções aos que não sabiam (houve aulas de canto, violão, caixa acústica entre outros). Amo música, pois me move e me estimula.


            




A IMPORTÂNCIA DE OUVIR


        Saber ouvir não é somente ficar parada, de boca fechada esperando que o outro termine, é esvarziar-se por alguns instantes e realmente perceber e sentir o que é o outro, sentir-se grato por alguém te escolher para desabafar e mostrar o seu interior.

            Saber escutar é uma atitude difícil, já que exige o domínio de sí mesmo e implica atenção, compreensão e esforço para captar a mensagem do outro. Se realmente escutarmos, a pessoa que fala sentirá que está dando a ela a importância que merece, ficando agradecida e criando um clima de respeito, estima e confiança. Por isso devemos exercitar a habilidade de escutar, pois é saudável, enriquecedor e solidário.
            
              Com essa temática fomos encorajados pela professora com a dinâmica da escuta, em que ouviríamos algumas instruções e a partir delas chegaríamos a um desenho específico. Confesso que não concluí, me perdi nas informações e tive dificuldades em compreender certos termos. Mas foi bem interessante e nos mostrou na prática a importância da ATENÇÃO no momento em se ouve alguém. 

              Acesse o link http://www.dinamicaspassoapasso.com.br/2014/04/dinamica-para-trabalhar-comunicacao.html e experimente essa dinâmica incrível ( embora visualizar e ler o que se pede torna a brincadeira muito mais fácil, o ideal seria somente ouvir, no máximo 2 vezes cada instrução).

sábado, 13 de agosto de 2016

EMPATIA



 Era uma vez uma boneca de sal. Após peregrinar por terras áridas, descobriu o mar e não conseguiu compreendê lo. perguntou ao mar: quem é você?
 E o mar respondeu: - sou o mar.
- Mas o que é o mar
- O mar sou eu.
- Não entendo, disse a boneca de sal, mas gostaria muito de entender. Como faço
- Encoste em mim
  Então a boneca de sal timidamenmte encostou no mar com as pontas dos dedos dos pés. Sentiu que começava a entender, mas tambem sentiu que acabara de perder o pé, dissolvido na água.
 - Mar o que você fez
 - Eu te dei um pouco de entendimento e você me deu um pouco de você. Pra entender tudo é preciso dar tudo.
 - Ansiosa em conhecer, mas tambem com medo, a boneca de sal começou a entrar no mar. Quanto mais entrava, mais se dissolvia e mais compreendia a enormidade do mar e da natureza, mas ainda faltava alguma coisa.
 Afinal, o que é o mar
 Então foi coberta por uma onda. Em seu último momento de consciência individual, antes de diluir-se completamente na água, a boneca ainda conseguiu dizer: 
 -O mar.....o mar sou eu

      A empatia é a capacidade psicológica para sentir o que outra pessoa sentiria. Na maioria das vezes vemos e sentimos as coisas do nosso ponto de vista, por isso é tão importante nos colocarmos no lugar do outro para entendermos suas atitudes, decisões e características que a priori podem parecer incompreensíveis.
Não é verdade que devemos tratar as pessoas com gostaríamos de ser tratadas. Porque a outra pessoa é uma outra pessoa, ela teve outra vida, outras experiências, ela tem outros traumas, outras necessidades.

         Basicamente, porque ela não sou eu. Porque eu não sou, nem nunca vou ser, nem devo ser a medida das coisas. Utilizar a mim mesmo, minhas vontades e necessidades, o jeito que quero ser tratado, como se eu fosse o parâmetro para todas as outras pessoas é a essência do narcisismo e do egocentrismo. É o exato oposto de empatia. A outra pessoa deve ser tratada não como eu gostaria de ser tratado, mas como ela merece e precisa ser tratada.
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segunda-feira, 18 de julho de 2016

MEMÓRIAS DO RIO CACHOEIRA: DOCUMENTÁRIO





       "O leito do rio é o espelho da sociedade por onde ele passa", e com o Rio cachoeira não é diferente, ele corta a cidade de Itabuna e encontra-se em estado avançado de poluição, agonizando e clamando por vida, pois o crescimento populacional e industrial não o poupou e não foi grato por sua grandiosa contribuição. As medidas preventivas como saneamento básico e tratamento de compostos orgânicos não acompanharam o ritmo de crescimento urbano, e apesar do estado de degradação do rio, ainda existem pessoas que obtém dele o seu sustento.

        "Memórias do Rio Cachoeira" é um documento da tragédia ambiental com que convivemos. Por meio de música, poesia, história e imagens, contribuiu para o registro e memória desse rio histórico bem como mostrou  sua importância para a região e seus diversos personagens reais. As produtoras NuProArt e Panorâmica produções realizaram o filme em 2011 em parceria com a banda Manzuá que musicalizaran poemas de autores grapiúnas. 

         A introdução do documentário revela o quanto cada um de nós contribuímos para a morte do Rio Cachoeira.  Até que ponto estamos realmente dispostos a ajudá-lo e vê-lo revitalizado? Vale a pena assistir e refletir sobre questões ambientais não só da nossa região como de todo o mundo.



Quer saber mais sobre o Projeto "Memórias do Rio Cachoeira" e  ouvir online a banda MANZUÀ? Acesse o link :


 
O MESTRE IGNORANTE
JACQUES RANCIÈRE


 


      Como a escola do século XIX  era baseada nos métodos tradicionais de repetição e descrição, Raciére por meio de sua obra O mestre ignorante defende a educação emancipatória  e descreve métodos que levariam a autoconstrução do sujeito.
          O livro conta a experiência pedagógica do professor francês Joseph Jacotot, que foi levado a refletir sobre a metodologia e filosofia da educação entre os séculos XVIII e XIX. Exilado nos países baixos foi convidado a dar aulas na universidade, que para sua surpresa desconheciam a língua francesa e ele a língua nativa. Como se comunicar sem uma linguagem em comum?
           Assim propôs aos alunos, por meio de um intérprete, que exercitassem o francês o máximo possível, e mais uma vez ficou surpreso ao perceber que progrediram e conseguiram falar, escrever e ler em francês por si mesmos. A partir dessa experiência desenvolveu o ensino e método universal, que constituem em levar as pessoas a desenvolverem suas capacidades de maneira autônoma e emancipadora.
          A base do método é o reconhecimento de que todas as Inteligências são iguais e que o professor não precisa necessariamente saber da matéria que está ensinando, mas deve acompanhar o trabalho do aluno. Jacotot acompanhou seus alunos apenas perguntando-os: o que vês? O que pensas? O que fazes com isso?
          Jacotot considerava o método educativo da época como embrutecedor, ou seja, apenas submissão do aluno a inteligência do professor. Em oposição ao princípio do embrutecimento, surge o princípio da emancipação, em que se pode ensinar qualquer coisa, desde que haja estimulação ao aluno. O método universal de Jacotot afirma a igualdade, a criatividade, o trabalho, o empenho e a força de vontade.
    
    REFERÊNCIA: RANCIÈRE, J. O mestre ignoranteCinco lições sobre a emancipação intelectual. Trad. Lílian do Valle. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.






 Terceira aula: ÁGUA

      Nunca se falou tanto da necessidade de economizarmos água como agora, não é a tôa que já se fala em terceira guerra mundial tendo este líquido incolor e inodoro como pivô, e não podemos considerar isso como cenário apocalíptico ou fantasioso demais, pois a briga por recursos hídricos pode se tornar facilmente violenta.
      
       Para ficarmos mais envolvidos com o tema, na terceira aula de experiência do sensível fomos convidados a ouvir vários sons relacionados a água e imaginar situações e contextos provenientes dos mesmos. Foi interessante notar que houve percepções e definições diferentes para um mesmo som, o que levou alguns a recordarem situações pessoais de vivência. Já outros foram bastante descritivos, mostrando se de mente fértil e criativa. Para quem tiver interesse em colocar a audição e a imaginação para trabalharem juntas, segue o link de acesso para alguns sons aquáticos para sentirem a mesma experiência: http://pt.audiomicro.com/efeitos-sonoros/efeitos-sonoros-de-agua/diversos-sons-da-agua/page-4

         Logo em seguida respondemos de forma coletiva um questionário online sobre a água e lemos um texto que posteriormente fizemos algumas reflexões que devem nos acompanhar e obrigatoriamente nos responsabilizar a levá las a outras pessoas.




RELATOS DA TERRA


     Na segunda aula de experiência do sensível fomos convidados a levar pra sala de aula uma porção de terra que tivesse um significado importante para nós e relatássemos para a turma. Minha terra escolhida foi retirada da Rua São Mateus, do Bairro Califórnia, da cidade de Itabuna, BA. Segue Meu Relato e o por quê dessa escolha.

     Nasci na cidade de Itabuna em 1987 e praticamente setenta por cento da minha vida foi no bairro da Califórnia, onde tive a oportunidade de conviver numa comunidade simples, com vizinhos muito próximos e preocupados uns com os outros. Minhas amizades foram únicas, quando nos desvencilhamos, já estávamos no final da adolescência (devido a namoros, casamentos, mudanças de município ou bairros).
      
      Wane, Cínthia Kelly, Valéria, Jamille e eu. Entre nós brigas, sinceridades, amor, alegrias, tristezas, competição, empatia, ciúmes, coações, mas acima de tudo amizade. Dentre muitas vivências que tive com esse grupo super feminino, a que me traz mais nostalgia, é o que nós tínhamos de comuns: Nenhuma de nós sabíamos andar de bicicleta e nenhuma de nós tínhamos uma bicicleta e isso nos moveu. Tudo começou quando uma das meninas (não me lembro quem) encontrou uma oficina de bicicletas, que também as alugava, acreditem, por cinquenta centavos a hora. Eeehh! Eu vivi o momento que cinquenta centavos eram muita coisa, e pra minha turma então, significava aprender a andar de bicicleta.


        Éramos cuidadosas umas com as outras, lembro que me sentia segura com as meninas, ficava uma de cada lado e outra atrás segurando no coxim, sabia que elas não me deixariam cair (na verdade na minha primeira queda eu já sabia pedalar muito bem). Às vezes a bicicleta não era compatível com meu tamanho, mas mesmo assim não desistia de montá-la, pedalava em pé, sem sentar no coxim, mas não deixava minha vez passar por motivo nenhum. E assim foi um final de semana após outro, era sagrado para o quinteto fantástico aprender a andar de bicicleta, até que finalmente todas nós havíamos aprendido.

        Não sei quanto tempo depois, mas o melhor ainda estava por acontecer. Em um início de noite estava em companhia de minha trupe, na porta da casa de uma delas, quando avistei meu pai chegando do trabalho com uma bicicleta (não era a bicicleta cargueira dele que utilizava no trabalho), meu coração foi na boca e meus olhos ficaram arregalados, corri ao encontro dele, e ainda com dúvida e medo da resposta, perguntei aos berros: De quem é essa bicicleta? Fiquei enlouquecida, a bicicleta era minha, a peguei de imediato e corri de volta para as meninas, que já estavam todas de pé fazendo algazarra com o ocorrido. Nesse dia fomos dormir muito tarde, a comemoração foi geral e as pedaladas intensas.
  
        A bicicleta não era nova, na verdade era bem usada, estava um pouco enferrujada e a tinta lilás com verde um pouco gasta, tinha o nome monark em branco na extensão do quadro, e pra mim era perfeita. Ela era mais do que minha, era nossa, a partir daquele dia não alugaríamos mais bicicleta, era apenas uma e dividíamos perfeitamente bem, acho que no fundo não tínhamos interesse em brincarmos sozinhas, afinal, não recordo em nenhum momento de brincar sozinha com minha bicicleta, não havia sentido.

        Outro dia presenciei uma cena, triste por sinal, que me fez lembrar essa fase de minha vida. Minha sobrinha de quatro anos chorou escandalosamente porque não queria deixar a criança da vizinha segurar a boneca dela, detalhe: minha sobrinha estava com outro brinquedo, mas não aceitou dividir justamente aquele que estava sobrando, jogado no chão e esquecido. O que estão ensinando as nossas crianças? Que tipo de adulto se tornará? Aprendi na minha infância que não há graça em brincar sozinha, a vida deve ser compartilhada, afinal, quantos tiveram uma aprendizagem como esta ao montar uma bicicleta? Sempre serei grata as minhas meninas pela excelente experiência e ótima lembrança.

         Após os relatos sensitivos de todos, fomos convidados por nosso colega indígena a dançar o TORÉ, uma dança típica e tradicional de seu povo em volta da terra que todos trouxeram, o que tornou o momento animador e de conhecimento mútuo.






       
EXPERIÊNCIA DO SENSÍVEL


      Experiência do sensível é um dos componentes curriculares mais comentados e esperados  na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), pois tem o intuito de ensinar o discente a aprender a "ser", a "fazer", a "conhecer" e "conviver", incluindo na pauta de formação universitária elementos como a sensibilidade, afetividade e convivências, em que a subjetividade se torna personagem principal.

     No primeiro dia de aula a turma foi dividida em grupos e foi proposto que estes deveriam expressar suas expectativas com relação ao componente curricular e expressá-la em uma cartolina e apresentar para a turma. Todos os grupos se expressaram de maneiras diferentes, mas chegaram ao mesmo denominador comum, de que seria uma aula diferente, transcendente e que com certeza fugiria da "normalidade".







      Em seguida a professora nos entregou cartas escritas por estudantes que passaram pela experiência do sensível, nos relatando os efeitos que sentiram com este componente e nos aconselhando a estarmos abertos e dispostos ás experiências que passaríamos. Foi surpreendente ter a percepção do passado dizendo ao presente como seria as expectativas futuras, um momento verdadeiramente enriquecedor.