segunda-feira, 18 de julho de 2016

MEMÓRIAS DO RIO CACHOEIRA: DOCUMENTÁRIO





       "O leito do rio é o espelho da sociedade por onde ele passa", e com o Rio cachoeira não é diferente, ele corta a cidade de Itabuna e encontra-se em estado avançado de poluição, agonizando e clamando por vida, pois o crescimento populacional e industrial não o poupou e não foi grato por sua grandiosa contribuição. As medidas preventivas como saneamento básico e tratamento de compostos orgânicos não acompanharam o ritmo de crescimento urbano, e apesar do estado de degradação do rio, ainda existem pessoas que obtém dele o seu sustento.

        "Memórias do Rio Cachoeira" é um documento da tragédia ambiental com que convivemos. Por meio de música, poesia, história e imagens, contribuiu para o registro e memória desse rio histórico bem como mostrou  sua importância para a região e seus diversos personagens reais. As produtoras NuProArt e Panorâmica produções realizaram o filme em 2011 em parceria com a banda Manzuá que musicalizaran poemas de autores grapiúnas. 

         A introdução do documentário revela o quanto cada um de nós contribuímos para a morte do Rio Cachoeira.  Até que ponto estamos realmente dispostos a ajudá-lo e vê-lo revitalizado? Vale a pena assistir e refletir sobre questões ambientais não só da nossa região como de todo o mundo.



Quer saber mais sobre o Projeto "Memórias do Rio Cachoeira" e  ouvir online a banda MANZUÀ? Acesse o link :


 
O MESTRE IGNORANTE
JACQUES RANCIÈRE


 


      Como a escola do século XIX  era baseada nos métodos tradicionais de repetição e descrição, Raciére por meio de sua obra O mestre ignorante defende a educação emancipatória  e descreve métodos que levariam a autoconstrução do sujeito.
          O livro conta a experiência pedagógica do professor francês Joseph Jacotot, que foi levado a refletir sobre a metodologia e filosofia da educação entre os séculos XVIII e XIX. Exilado nos países baixos foi convidado a dar aulas na universidade, que para sua surpresa desconheciam a língua francesa e ele a língua nativa. Como se comunicar sem uma linguagem em comum?
           Assim propôs aos alunos, por meio de um intérprete, que exercitassem o francês o máximo possível, e mais uma vez ficou surpreso ao perceber que progrediram e conseguiram falar, escrever e ler em francês por si mesmos. A partir dessa experiência desenvolveu o ensino e método universal, que constituem em levar as pessoas a desenvolverem suas capacidades de maneira autônoma e emancipadora.
          A base do método é o reconhecimento de que todas as Inteligências são iguais e que o professor não precisa necessariamente saber da matéria que está ensinando, mas deve acompanhar o trabalho do aluno. Jacotot acompanhou seus alunos apenas perguntando-os: o que vês? O que pensas? O que fazes com isso?
          Jacotot considerava o método educativo da época como embrutecedor, ou seja, apenas submissão do aluno a inteligência do professor. Em oposição ao princípio do embrutecimento, surge o princípio da emancipação, em que se pode ensinar qualquer coisa, desde que haja estimulação ao aluno. O método universal de Jacotot afirma a igualdade, a criatividade, o trabalho, o empenho e a força de vontade.
    
    REFERÊNCIA: RANCIÈRE, J. O mestre ignoranteCinco lições sobre a emancipação intelectual. Trad. Lílian do Valle. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.






 Terceira aula: ÁGUA

      Nunca se falou tanto da necessidade de economizarmos água como agora, não é a tôa que já se fala em terceira guerra mundial tendo este líquido incolor e inodoro como pivô, e não podemos considerar isso como cenário apocalíptico ou fantasioso demais, pois a briga por recursos hídricos pode se tornar facilmente violenta.
      
       Para ficarmos mais envolvidos com o tema, na terceira aula de experiência do sensível fomos convidados a ouvir vários sons relacionados a água e imaginar situações e contextos provenientes dos mesmos. Foi interessante notar que houve percepções e definições diferentes para um mesmo som, o que levou alguns a recordarem situações pessoais de vivência. Já outros foram bastante descritivos, mostrando se de mente fértil e criativa. Para quem tiver interesse em colocar a audição e a imaginação para trabalharem juntas, segue o link de acesso para alguns sons aquáticos para sentirem a mesma experiência: http://pt.audiomicro.com/efeitos-sonoros/efeitos-sonoros-de-agua/diversos-sons-da-agua/page-4

         Logo em seguida respondemos de forma coletiva um questionário online sobre a água e lemos um texto que posteriormente fizemos algumas reflexões que devem nos acompanhar e obrigatoriamente nos responsabilizar a levá las a outras pessoas.




RELATOS DA TERRA


     Na segunda aula de experiência do sensível fomos convidados a levar pra sala de aula uma porção de terra que tivesse um significado importante para nós e relatássemos para a turma. Minha terra escolhida foi retirada da Rua São Mateus, do Bairro Califórnia, da cidade de Itabuna, BA. Segue Meu Relato e o por quê dessa escolha.

     Nasci na cidade de Itabuna em 1987 e praticamente setenta por cento da minha vida foi no bairro da Califórnia, onde tive a oportunidade de conviver numa comunidade simples, com vizinhos muito próximos e preocupados uns com os outros. Minhas amizades foram únicas, quando nos desvencilhamos, já estávamos no final da adolescência (devido a namoros, casamentos, mudanças de município ou bairros).
      
      Wane, Cínthia Kelly, Valéria, Jamille e eu. Entre nós brigas, sinceridades, amor, alegrias, tristezas, competição, empatia, ciúmes, coações, mas acima de tudo amizade. Dentre muitas vivências que tive com esse grupo super feminino, a que me traz mais nostalgia, é o que nós tínhamos de comuns: Nenhuma de nós sabíamos andar de bicicleta e nenhuma de nós tínhamos uma bicicleta e isso nos moveu. Tudo começou quando uma das meninas (não me lembro quem) encontrou uma oficina de bicicletas, que também as alugava, acreditem, por cinquenta centavos a hora. Eeehh! Eu vivi o momento que cinquenta centavos eram muita coisa, e pra minha turma então, significava aprender a andar de bicicleta.


        Éramos cuidadosas umas com as outras, lembro que me sentia segura com as meninas, ficava uma de cada lado e outra atrás segurando no coxim, sabia que elas não me deixariam cair (na verdade na minha primeira queda eu já sabia pedalar muito bem). Às vezes a bicicleta não era compatível com meu tamanho, mas mesmo assim não desistia de montá-la, pedalava em pé, sem sentar no coxim, mas não deixava minha vez passar por motivo nenhum. E assim foi um final de semana após outro, era sagrado para o quinteto fantástico aprender a andar de bicicleta, até que finalmente todas nós havíamos aprendido.

        Não sei quanto tempo depois, mas o melhor ainda estava por acontecer. Em um início de noite estava em companhia de minha trupe, na porta da casa de uma delas, quando avistei meu pai chegando do trabalho com uma bicicleta (não era a bicicleta cargueira dele que utilizava no trabalho), meu coração foi na boca e meus olhos ficaram arregalados, corri ao encontro dele, e ainda com dúvida e medo da resposta, perguntei aos berros: De quem é essa bicicleta? Fiquei enlouquecida, a bicicleta era minha, a peguei de imediato e corri de volta para as meninas, que já estavam todas de pé fazendo algazarra com o ocorrido. Nesse dia fomos dormir muito tarde, a comemoração foi geral e as pedaladas intensas.
  
        A bicicleta não era nova, na verdade era bem usada, estava um pouco enferrujada e a tinta lilás com verde um pouco gasta, tinha o nome monark em branco na extensão do quadro, e pra mim era perfeita. Ela era mais do que minha, era nossa, a partir daquele dia não alugaríamos mais bicicleta, era apenas uma e dividíamos perfeitamente bem, acho que no fundo não tínhamos interesse em brincarmos sozinhas, afinal, não recordo em nenhum momento de brincar sozinha com minha bicicleta, não havia sentido.

        Outro dia presenciei uma cena, triste por sinal, que me fez lembrar essa fase de minha vida. Minha sobrinha de quatro anos chorou escandalosamente porque não queria deixar a criança da vizinha segurar a boneca dela, detalhe: minha sobrinha estava com outro brinquedo, mas não aceitou dividir justamente aquele que estava sobrando, jogado no chão e esquecido. O que estão ensinando as nossas crianças? Que tipo de adulto se tornará? Aprendi na minha infância que não há graça em brincar sozinha, a vida deve ser compartilhada, afinal, quantos tiveram uma aprendizagem como esta ao montar uma bicicleta? Sempre serei grata as minhas meninas pela excelente experiência e ótima lembrança.

         Após os relatos sensitivos de todos, fomos convidados por nosso colega indígena a dançar o TORÉ, uma dança típica e tradicional de seu povo em volta da terra que todos trouxeram, o que tornou o momento animador e de conhecimento mútuo.






       
EXPERIÊNCIA DO SENSÍVEL


      Experiência do sensível é um dos componentes curriculares mais comentados e esperados  na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), pois tem o intuito de ensinar o discente a aprender a "ser", a "fazer", a "conhecer" e "conviver", incluindo na pauta de formação universitária elementos como a sensibilidade, afetividade e convivências, em que a subjetividade se torna personagem principal.

     No primeiro dia de aula a turma foi dividida em grupos e foi proposto que estes deveriam expressar suas expectativas com relação ao componente curricular e expressá-la em uma cartolina e apresentar para a turma. Todos os grupos se expressaram de maneiras diferentes, mas chegaram ao mesmo denominador comum, de que seria uma aula diferente, transcendente e que com certeza fugiria da "normalidade".







      Em seguida a professora nos entregou cartas escritas por estudantes que passaram pela experiência do sensível, nos relatando os efeitos que sentiram com este componente e nos aconselhando a estarmos abertos e dispostos ás experiências que passaríamos. Foi surpreendente ter a percepção do passado dizendo ao presente como seria as expectativas futuras, um momento verdadeiramente enriquecedor.