O MESTRE IGNORANTE
JACQUES RANCIÈRE
Como a escola do século XIX era
baseada nos métodos tradicionais de repetição e descrição, Raciére por meio de sua
obra O mestre ignorante defende a
educação emancipatória e descreve métodos que levariam a
autoconstrução do sujeito.
O livro conta a experiência
pedagógica do professor francês Joseph Jacotot, que foi levado a refletir sobre
a metodologia e filosofia da educação entre os séculos XVIII e XIX. Exilado nos
países baixos foi convidado a dar aulas na universidade, que para sua surpresa
desconheciam a língua francesa e ele a língua nativa. Como se comunicar sem uma
linguagem em comum?
Assim propôs aos alunos, por meio de
um intérprete, que exercitassem o francês o máximo possível, e mais uma vez
ficou surpreso ao perceber que progrediram e conseguiram falar, escrever e ler
em francês por si mesmos. A partir dessa experiência desenvolveu o ensino e
método universal, que constituem em levar as pessoas a desenvolverem suas
capacidades de maneira autônoma e emancipadora.
A base do método é o reconhecimento
de que todas as Inteligências são iguais e que o professor não precisa
necessariamente saber da matéria que está ensinando, mas deve acompanhar o
trabalho do aluno. Jacotot acompanhou seus alunos apenas perguntando-os: o que
vês? O que pensas? O que fazes com isso?
Jacotot considerava o método
educativo da época como embrutecedor, ou seja, apenas submissão do aluno a
inteligência do professor. Em oposição ao princípio do embrutecimento, surge o
princípio da emancipação, em que se pode ensinar qualquer coisa, desde que haja
estimulação ao aluno. O método universal de Jacotot afirma a igualdade, a
criatividade, o trabalho, o empenho e a força de vontade.
REFERÊNCIA: RANCIÈRE,
J. O mestre ignorante. Cinco
lições sobre a emancipação intelectual. Trad. Lílian do Valle. Belo Horizonte:
Autêntica, 2002.
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