segunda-feira, 18 de julho de 2016

O MESTRE IGNORANTE
JACQUES RANCIÈRE


 


      Como a escola do século XIX  era baseada nos métodos tradicionais de repetição e descrição, Raciére por meio de sua obra O mestre ignorante defende a educação emancipatória  e descreve métodos que levariam a autoconstrução do sujeito.
          O livro conta a experiência pedagógica do professor francês Joseph Jacotot, que foi levado a refletir sobre a metodologia e filosofia da educação entre os séculos XVIII e XIX. Exilado nos países baixos foi convidado a dar aulas na universidade, que para sua surpresa desconheciam a língua francesa e ele a língua nativa. Como se comunicar sem uma linguagem em comum?
           Assim propôs aos alunos, por meio de um intérprete, que exercitassem o francês o máximo possível, e mais uma vez ficou surpreso ao perceber que progrediram e conseguiram falar, escrever e ler em francês por si mesmos. A partir dessa experiência desenvolveu o ensino e método universal, que constituem em levar as pessoas a desenvolverem suas capacidades de maneira autônoma e emancipadora.
          A base do método é o reconhecimento de que todas as Inteligências são iguais e que o professor não precisa necessariamente saber da matéria que está ensinando, mas deve acompanhar o trabalho do aluno. Jacotot acompanhou seus alunos apenas perguntando-os: o que vês? O que pensas? O que fazes com isso?
          Jacotot considerava o método educativo da época como embrutecedor, ou seja, apenas submissão do aluno a inteligência do professor. Em oposição ao princípio do embrutecimento, surge o princípio da emancipação, em que se pode ensinar qualquer coisa, desde que haja estimulação ao aluno. O método universal de Jacotot afirma a igualdade, a criatividade, o trabalho, o empenho e a força de vontade.
    
    REFERÊNCIA: RANCIÈRE, J. O mestre ignoranteCinco lições sobre a emancipação intelectual. Trad. Lílian do Valle. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.


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